9 de setembro de 2020 Autor : Pedro Brito O que é a córnea e para que serve? A córnea é um tecido transparente com várias camadas que cobre a região anterior do olho: cobre a pupila (no centro escuro do olho), a íris (a região colorida em redor da pupila) e uma parte da esclerótica (o branco do olho). É um tecido avascular (não tem irrigação sanguínea) que tem funções de proteção do olho, transmite e ajuda a concentrar a luz sobre a retina e é a principal estrutura responsável pelo poder de focagem do olho. Para que a córnea consiga desempenhar corretamente as suas funções é fundamental que mantenha a sua transparência e integridade. Contudo, várias doenças inflamatórias, infecciosas e degenerativas, bem como certos tipos de traumatismos oculares podem danificar irreversívelmente a delicada organização celular da córnea e provar uma perda significativa de acuidade visual. O tratamento dos problemas que afetam tem evoluído muito e o transplante de córnea ocupa atualmente um papel importante em muitos casos. Há doenças da córnea, algumas graves, que podem ter indicação e podem potencialmente ficar curadas recorrendo a técnicas modernas de transplante de córnea. Quais são as principais indicações para um transplante de córnea As alterações da transparência da córnea podem em muitos casos ser resolvidas com um transplante de córnea. Entre as doenças mais comuns que podem afetar a transparência da córnea destacam-se: Queratocone e outras doenças degenerativas morfológicas; Distrofias da córnea congénitas ou adquiridas; Cicatrizes de infeções, como herpes ocular ou ceratite fúngica; Queimaduras químicas da córnea ou danos causados por outras lesões traumáticas; Descompensação do endotélio da córnea devido a complicações oculares. Como é feito o transplante e que tipos existem? Um transplante de córnea é uma cirurgia em que é utilizada córnea de um dador que é aplicada no recetor doente. Dependendo da doença subjacente e do número de camadas da córnea que seja necessário transplantar, podem realizar-se diferentes tipos de transplante: Transplante de córnea ou queratoplastia penetrante , se todas as camadas forem transplantadas; Transplante de córnea ou queratoplastia lamelar , se apenas for necessário substituir algumas das camadas da córnea. As queratoplastias lamelares podem ainda ser de dois tipos: Queratoplastias lamelares posteriores endoteliais (DSAEK, DMEK) Nos casos em que a doença da córnea se limitada à sua camada celular mais profunda (endotélio), como a distrofia endotelial de Fuchs e a queratopatia bolhosa pseudofáquica, permite transplantar apenas a camada doente através de uma pequena incisão. A recuperação de acuidade visual é muito mais rápida do que nos transplantes de córnea penetrantes. Queratoplastias lamelares anteriores profundas (DALK) Quando a córnea está deformada, como nas situações de queratocone e ectasia, ou opacificada por cicatrizes traumáticas ou infecciosas, mas tem camada endotelial saudável, há vantagem manter esta camada profunda e substituem-se apenas as camadas superficiais alteradas. Quais são as vantagens das técnicas lamelares de transplante de córnea? As principais vantagens das técnicas lamelares de transplante relativamente ao transplante penetrante são: Recuperação mais rápida a visão; Melhor resultado refrativo, ou seja, menor grau de astigmatismo, miopia, hipermetropia e outros problemas de refração; Diminuição significativa do risco de infeção ocular ou rejeição imunológica do enxerto. Assim, sempre que a doença da córnea o permita, o cirurgião oftalmologista decidirá por uma técnica de transplante lamelar. No entanto, nos casos mais graves , como o queratocone muito avançado ou lesões cicatriciais ou ulcerativas profundas, o transplante penetrante continua a ser, ainda hoje, a única solução terapêutica capaz de permitir a doentes com incapacidade visual grave que consigam recuperar níveis funcionais de visão. Conheça a equipa de oftalmologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.