29 de setembro de 2020 Autora : Margarida Felizardo O cancro do pulmão continua a ser a principal causa de morte por cancro a nível mundial e apresenta uma taxa de sobrevivência aos cinco anos de, aproximadamente, 18%. Em Portugal, de acordo com os dados mais recentes, é responsável por pouco mais de 4000 mortes por ano e a sua incidência, ou seja, o número de novos casos, continua a aumentar. Quais os fatores de risco? Tabaco O principal fator de risco é o tabaco. É indiscutível a relação do tabaco com o cancro do pulmão. O tabaco é composto por vários agentes químicos carcinogéneos e pela nicotina, que é, também, uma substância altamente aditiva. Entre 85% e 90% dos doentes afetados por cancro do pulmão são ou foram fumadores. O tabaco não está apenas relacionado com este cancro. Está também associado a outros cancros como o do esófago, faringe, laringe, bexiga, pâncreas ou rim, entre outros. Há uma relação direta do risco de ter cancro do pulmão com o número de cigarros fumados por dia e o número de anos de consumo de tabaco. Todos os fumadores, inclusive os doentes com cancro do pulmão, devem ser aconselhados e apoiados no sentido da cessação tabágica, pois apresentam taxas de mortalidade superiores aos não fumadores. Os fumadores passivos apresentam também um risco relativo acrescido de vir a desenvolver cancro do pulmão. A exposição ao amianto e ao radão, nomeadamente a inalação das partículas destas substâncias carcinogénicas é também um fator de risco que aumenta a probabilidade de contrair cancro do pulmão, principalmente nos doentes fumadores. Outros fatores de risco Doença pulmonar obstrutiva crónica Enfisema pulmonar Fibrose pulmonar Sequelas de tuberculose Irradiação ao tórax para tratar tumores da mama ou linfomas Casos de cancro do pulmão em familiares diretos História prévia de cancro do pulmão ou outros cancros relacionados com o tabaco Sinais de alerta sintomas de cancro do pulmão Os principais sintomas que devem alertar os doentes a procurarem um médico são: Tosse persistente ou diferente da tosse habitual matinal; Expetoração persistente ou diferente da habitual (por exemplo, expetoração com muco esbranquiçado que passa a ser raiada de sangue ou amarela escura); Rouquidão; Alterações das características da voz; Falta de ar; Cansaço inexplicado ou agravado; Dor no peito (a chamada toracalgia); Perda de peso ou de apetite sem explicação; Aparecimento de gânglios nas axilas ou acima das clavículas; Inchaço ou edema do pescoço ou da face. Importante: os doentes que têm sintomas diários de bronquite devem, em caso de qualquer alteração dos mesmos, procurar ajuda médica. Nos casos em que a doença já se encontra metastizada, os sintomas podem estar relacionados com os locais de metastização e manifestarem-se por: Dores ósseas persistentes ou intensas; Fraturas inexplicadas; Queixas neurológicas, como cefaleias ou crises convulsivas. Diagnóstico A tomografia computorizada (TAC) de baixa dosagem integrada num plano minucioso e alargado de avaliação de risco e diagnóstico precoce é o primeira exame para a deteção desta doença. Em doentes de risco e sem sintomas, a mortalidade pode ser reduzida em 20% se este exame for realizado em vez da “normal” radiografia de tórax. Nos casos em que o doente já apresenta os sintomas acima rereridos, o primeiro exame a realizar será uma TAC que ajudará a efetuar a localização da doença e orientar os médicos no sentido na abordagem diagnóstica e terapêutica mais rápida e efetiva. Depois de um estadiamento adequado, a abordagem diagnóstica e terapêutica é discutida em reunião multidisciplinar por um grupo de médicos das várias especialidades envolvidas. Muitas vezes, o objetivo da primeira abordagem passa por, num só exame, fazer o diagnóstico histológico (saber qual o tipo de tumor) e o estadiamento (fase) da doença, de acordo com as guidelines internacionais e nacionais. A equipa multidisciplinar integra as especialidades de: Anatomia Patológica Cirurgia Torácica Cuidados Paliativos Medicina Molecular Oncologia Médica Pneumologia Radiologia Radioterapia Um diagnóstico correto e eficaz é fundamental no cancro do pulmão, porque o tempo é absolutamente vital para o início da terapêutica adequada com o consequente controlo da doença. Tratamento O tratamento depende de uma série de fatores relacionados com o tumor, tais como o tipo de tumor, a localização e o estadiamento, mas está também dependente do estado geral e da decisão tomada com o doente. Muitas vezes a abordagem inicial pode ser cirúrgica utilizando, sempre que possível, técnicas minimamente invasivas, sendo que, em algumas delas, como na cirurgia robótica pulmonar, o Hospital da Luz foi pioneiro a nível nacional. Quando o tumor é diagnosticado numa fase avançada, o tratamento é orientado após estudo molecular para uma terapêutica dirigida, que pode ser imunoterapia, terapêutica-alvo ou quimioterapia. Existem ainda doentes que podem ser incluídos em ensaios clínicos. O Hospital da Luz dispõe de capacidade ímpar para tratar doentes de acordo com o melhor estado da arte. Conheça a equipa de pneumologia da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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